Quando a Corda se Rompe

Sei o que é passar necessidade e sei o que é ter fartura. Aprendi o segredo de viver contente em toda e qualquer situação, seja bem alimentado, seja com fome, tendo muito, ou passando necessidade. Filipenses 4:12, NVI.

Itzhak Perlman, o grande violinista, apresentou-se certa noite no Lincoln Center, na cidade de Nova Iorque. Sendo que Perlman fora atacado pela paralisia infantil quando criança, chegar ao palco não é para ele uma realização pequena. Ele usa aparelhos em ambas as pernas e caminha com a ajuda de duas muletas. Vê-lo caminhar pelo palco, com dificuldade porém majestosamente, é uma cena impressionante.

Com esforço, ele colocou suas muletas no chão, desafivelou os aparelhos das pernas, curvou-se para apanhar o violino, colocou-o sob o queixo, fez sinal para o regente e passou a tocar. O auditório estava acostumado a esse ritual e permaneceu em silêncio. Mas agora alguma coisa estava errada. Ao concluir os primeiros compassos, uma das cordas do violino se rompeu. O estalo soou como arma de fogo. Todos entenderam que ele teria de encontrar outro violino ou outra corda.

Não havia nenhum dos dois. Ele aguardou um momento, fechou os olhos e fez sinal para que o regente começasse de novo. Perlman tocou com uma paixão e um poder que o auditório nunca tinha ouvido antes! Como pôde fazer isso? Todos sabem que é impossível tocar uma obra sinfônica com três cordas apenas. Mas mentalmente ele mudou e recompôs a peça.

Quando terminou, havia um silêncio impressionante no recinto. Então se ouviu uma explosão extraordinária de aplausos. Todos se puseram em pé, gritando e dando vivas. Perlman sorriu, enxugou o suor da testa, levantou o arco para silenciar o auditório e então disse com um tom calmo, reflexivo e reverente: "Às vezes é tarefa do artista descobrir quanta música pode fazer com o que lhe resta."

Ali estava um homem que se havia preparado a vida inteira para fazer música com quatro cordas e, de repente, se acha com apenas três. Assim, ele faz música com três. E a música que ele produziu naquela noite foi mais bela e memorável do que em todas as ocasiões anteriores.

Talvez nossa tarefa neste mundo atordoante, de mudanças tão rápidas, seja fazer música com o que nos resta. Tome aquilo que a vida lhe trouxe e tire dele o melhor. Faça do dia de hoje um dia feliz.

Escrito por Nancy L. Van Pelt

1 comentários:



bru disse...

Lindo post .. Feliz Semana ... bjux

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