Grandes, à vista de Deus

 
Quem é fiel no pouco, também é fiel no muito; e quem é injusto no pouco, também é injusto no muito. Lucas 16:10.
 
A vida não se compõe apenas de grandes coisas; são as pequenas coisas que formam a soma da felicidade ou da miséria da vida. São as pequenas coisas da vida que revelam o real caráter de uma pessoa.
 
Oh, se todos os jovens e os de idade madura pudessem ver como tenho visto o espelho da vida das pessoas apresentado diante delas, olhariam com mais seriedade mesmo os pequeninos deveres da vida.
 
Todo erro, todo engano, por insignificante que pareça, deixa nesta vida uma cicatriz e uma mancha nos registros celestes.
 
A vida está cheia de deveres não agradáveis, mas todos esses deveres menos aprazíveis se tornam gratos mediante a satisfação em cumpri-los porque é correto. Tomar interesse nas coisas que alguém precisa fazer, e esforçar-se por fazê-las de coração, tornará aprazíveis os mais desagradáveis deveres. — Carta 41a, 1874.
 
Muitos há que menosprezam os pequenos acontecimentos da vida, os pequeninos atos que devem ser executados dia a dia; estes, porém, não devem ser estimados em pouco, pois cada ação influi para benefício ou para dano de alguém. ...
 
É unicamente o agir em harmonia com os princípios da Palavra de Deus nos pequeninos tratos da vida, que nos coloca do lado do direito. Somos provados e experimentados por estas pequenas ocorrências, e nosso caráter será estimado segundo for a nossa obra. — The Review and Herald, 15 de Outubro de 1895.
 
É a atenção conscienciosa ao que o mundo chama coisas pequenas, que faz a grande beleza e o êxito da vida.
 
Pequenos atos de caridade, palavrinhas de bondade, pequenos atos de abnegação, o sábio emprego de oportunidades, diligente cultivo dos talentos pequeninos, fazem grandes os homens diante de Deus.
 
Fonte: EGW - Manuscrito 59, 1897
 
 
 



Orar de manhã



Pela manhã ouvirás a minha voz, ó Senhor; pela manhã me apresentarei a Ti, e vigiarei. Salmos 5:3.

A primeira respiração da alma pela manhã deve ser a presença de Jesus. “Sem Mim”, diz Ele, “nada podereis fazer.” João 15:5.
 
É de Jesus que necessitamos; Sua luz, Sua vida, Seu espírito devem ser nossos continuamente. D'Ele precisamos cada hora. E devemos orar de manhã, para que, assim como o Sol ilumina a Terra e enche o mundo de luz, também o Sol da Justiça brilhe nas câmaras da mente e do coração, tornando-nos luzes no Senhor. Não podemos dispensar Sua presença um momento sequer. O inimigo sabe quando intentamos andar sem o Senhor, e ali está ele, pronto para encher-nos a mente de más sugestões para que decaiamos de nossa firmeza; mas o desejo do Senhor é que de momento a momento permaneçamos n'Ele, e n'Ele sejamos completos.
 
Deus quer que cada um de nós seja perfeito n'Ele, a fim de representarmos perante o mundo a perfeição de Seu caráter. Quer que estejamos isentos de pecado, para não desapontarmos o Céu, nem entristecermos o divino Redentor. Não quer Ele que professemos o cristianismo sem prevalecer-nos da graça que nos pode tornar perfeitos, e nada nos falte. — The Bible Echo, 15 de Janeiro de 1892.
 
A oração e a fé farão o que nenhum poder da Terra conseguirá realizar. Raramente somos colocados duas vezes nas mesmas circunstâncias sob todos os pontos de vista. Experimentamos continuamente novas cenas e novas provas, onde a experiência passada não pode ser um guia suficiente. Temos que ter a luz perene que vem de Deus. Cristo envia sempre mensagens aos que estão atentos à Sua voz. — A Ciência do Bom Viver, 509.
 
Faz parte do plano de Deus conceder-nos, em resposta à oração da fé, aquilo que Ele não outorgaria se o não pedíssemos assim. — O Grande Conflito entre Cristo e Satanás, 525.
 

Fonte: EGW- Cuidado de Deus, 33
 

O verbo se fez carne


 
A união do divino com a natureza humana é uma das mais preciosas e misteriosas verdades do plano da redenção. É dela que fala o apóstolo Paulo nestas palavras: “Sem dúvida nenhuma, grande é o mistério da piedade: Deus Se manifestou em carne.” 1 Timóteo 3:16.
 
Essa verdade tem sido para muitos causa de dúvida e incredulidade. Quando Cristo veio ao mundo — como Filho de Deus e do homem — não foi compreendido pelo povo de Seu tempo. Humilhou-Se, tomando a natureza humana para poder atingir a raça decaída e reabilitá-la. Em virtude do pecado, porém, os homens tinham o espírito obscurecido, as faculdades entorpecidas e a percepção embotada a ponto de não Lhe discernirem o caráter divino sob as vestes da humanidade. Essa falta de compreensão de sua parte foi um obstáculo à obra que Cristo Se propunha realizar em seu favor; de sorte que, para imprimir força aos Seus ensinos, precisou muitas vezes definir e defender Sua posição. Pela referência ao Seu caráter misterioso e divino, tentou dar às Suas ideias uma orientação que favorecesse a virtude reformadora da verdade.
 
De outras vezes, servia-Se dos objetos da natureza, que lhes eram familiares, a fim de ilustrar as verdades divinas. O terreno do coração era desse modo preparado para receber a boa semente. Fazia sentir aos ouvintes que Seus interesses estavam identificados com os deles e que Seu coração pulsava em simpatia por eles, nas suas alegrias e tristezas. Ao mesmo tempo, podiam observar n'Ele a revelação de um poder e excelência que muito excediam os que possuíam seus mais respeitáveis rabinos. Os ensinos de Cristo se assinalavam por uma simplicidade, dignidade e virtude até então deles desconhecidas, e sua involuntária exclamação eram estas palavras: “Nunca homem algum falou assim como este Homem.” João 7:46. O povo escutava-O com prazer; mas os sacerdotes e príncipes — que faltavam eles próprios à sua dignidade de guardiães da verdade — aborreciam a Cristo pela graça n'Ele revelada, que afastava deles as multidões para seguirem a Luz da vida. Por sua influência, a nação judaica, deixando de discernir o caráter divino de Cristo, rejeitou o Salvador.
 
A união do divino com o humano, manifestada em Cristo, se nos depara também na Bíblia. As verdades nela reveladas são inspiradas por Deus; contudo, são expressas por palavras de homens e adaptadas às necessidades humanas. Assim se poderia afirmar acerca do Livro de Deus o que se disse de Cristo, que “o Verbo Se fez carne, e habitou entre nós”. João 1:14. E esse fato, longe de constituir um argumento contra a Bíblia, deve fortalecer a nossa fé nela como a Palavra de Deus. Os que se pronunciam sobre a inspiração das Escrituras Sagradas, aceitando algumas partes como divinas, enquanto rejeitam outras como de origem humana, perdem de vista o fato de que Cristo, o divino, participou da natureza humana a fim de poder atingir a humanidade. Na obra de Deus para a redenção do homem, a divindade e a humanidade se identificaram.
 
Há muitas passagens nas Escrituras que os críticos céticos declaram não ser inspiradas, mas que, na sua excelente adaptação às necessidades dos homens, constituem as mensagens do próprio Deus para conforto de Seus filhos que nEle confiam. Uma bela ilustração desse fato ocorre na história do apóstolo Pedro. Estava preso, esperando ser executado no dia seguinte. Aquela noite dormia “entre dois soldados, ligado com duas cadeias, e os guardas diante da porta guardavam a prisão. E eis que sobreveio o anjo do Senhor, e resplandeceu uma luz na prisão; e, tocando a Pedro no lado, o despertou, dizendo: Levanta-te depressa! E caíram-lhe das mãos as cadeias”. Atos dos Apóstolos 12:6, 7. Pedro, subitamente despertado, extasiou-se com a claridade que inundava o cárcere, e a beleza celestial do mensageiro divino. Não compreendeu a cena, mas sabia que estava livre, e em seu assombro e júbilo se teria retirado da prisão sem ter o cuidado de agasalhar-se do frio ar da noite. O anjo de Deus, notando todas as circunstâncias, disse-lhe com terna solicitude pelas necessidades do apóstolo: “Cinge-te e ata as tuas sandálias.” Atos dos Apóstolos 12:8. Pedro obedeceu mecanicamente; mas, tão embevecido estava diante da revelação daquela glória celestial, que não pensou em tomar a capa. Ordenou-lhe então o anjo: “Lança às costas a tua capa e segue-me. E, saindo, o seguia. E não sabia que era real o que estava sendo feito pelo anjo, mas cuidava que via alguma visão. E, quando passaram a primeira e segunda guarda, chegaram à porta de ferro que dá para a cidade, a qual se lhes abriu por si mesma; e, tendo saído, percorreram uma rua, e logo o anjo se apartou dele.” Atos dos Apóstolos 12:8-10. Achou-se, pois, o apóstolo só nas ruas de Jerusalém. “E Pedro, tornando a si, disse: Agora sei verdadeiramente — não eram pois um sonho ou uma visão, e sim um acontecimento real — que o Senhor enviou o Seu anjo, e me livrou da mão de Herodes, e de tudo que o povo dos judeus esperava.” Atos dos Apóstolos 12:11.
 
Os céticos podem sorrir à ideia de que um anjo glorioso do Céu houvesse de dar atenção a uma coisa tão trivial como a de cuidar destas simples necessidades humanas, pondo talvez em dúvida a inspiração dessa narrativa. Mas na sabedoria divina essas coisas foram relatadas na história sagrada não para benefício dos anjos, mas em atenção aos homens, para que, quando postos em situações difíceis, encontrassem conforto na ideia de que o Céu a todos conhece.
 
Jesus declarou que nem mesmo um passarinho cai ao solo sem ser notado pelo Pai celestial, e que se Deus tem presentes as necessidades de todas essas pequenas aves, muito mais cuidará dos que se fizerem súditos de Seu reino, e que, pela fé n'Ele, se constituírem herdeiros da vida eterna. Oh, se o espírito humano pudesse ao menos compreender — na medida em que o plano da redenção pode ser apreendido por mentes finitas — a obra de Jesus em tomar a natureza humana e o que Se propõe realizar por nós com esta Sua maravilhosa condescendência, o coração dos homens se comoveria de gratidão pelo grande amor de Deus, e humildemente adorariam a divina sabedoria que delineou o mistério da graça!
 
Fonte: EGW, T5, 746-749
 


Uma Crise é iminente

 
Estamos às vésperas de grandes e importantes acontecimentos. As profecias rapidamente se estão cumprindo. O Senhor está às portas. Está prestes a inaugurar-se um período da mais alta importância para todos os viventes. As controvérsias do passado serão reavivadas, e outras novas suscitadas. As cenas que deverão desenrolar-se neste mundo não são nem sequer sonhadas. Satanás está operando por meio de instrumentos humanos. Os que se empenham em conseguir uma emenda à Constituição, para obter uma lei que imponha a observância do domingo, mal compreendem qual vai ser o resultado. Uma crise é iminente.
 
Necessitamos exercer fé em Deus, porque estamos justamente enfrentando um tempo de grandes provações. Cristo, no Monte das Oliveiras, enumerou os juízos terríveis que deviam preceder Sua volta: “E ouvireis de guerras e de rumores de guerras.” “Porquanto se levantará nação contra nação, e reino contra reino, e haverá fomes, e pestes, e terremotos, em vários lugares. Mas todas estas coisas são o princípio de dores.” Mateus 24:6-8. Se bem que essas profecias tivessem tido cumprimento parcial na destruição de Jerusalém, aplicam-se mais diretamente aos últimos dias.
 
Entretanto, os servos de Deus não devem confiar em si mesmos nesta hora calamitosa. Nas visões dadas a Isaías, Ezequiel e João, vemos o interesse que o Céu toma nos acontecimentos da Terra e quão grande é a solicitude de Deus pelos que Lhe são fiéis. O mundo não está sem um governante. O programa dos acontecimentos futuros está nas mãos do Senhor. A Majestade do Céu tem sob Sua direção o destino das nações e os negócios de Sua igreja.
 
Na obra de Deus, muitas vezes nos deixamos influenciar pelos cuidados e dificuldades. O peso da responsabilidade não pesa apenas sobre mortais. Precisamos confiar em Deus, crer n'Ele e avançar. A incansável vigilância dos mensageiros celestiais e seu incessante empenho em prol dos que vivem na Terra nos revelam como a mão de Deus está guiando uma roda dentro de outra. O Instrutor divino diz a cada qual que desempenha uma parte em Sua obra o que outrora disse a respeito de Ciro: “Eu te cingirei, ainda que tu Me não conheças.” Isaías 45:5.
 
Irmãos, não é tempo de nos lamentarmos e entregarmos ao desespero, nem de ceder à dúvida e incredulidade. Cristo não é para nós um Salvador que jaz no sepulcro de José, vedado por uma grande pedra selada com o selo romano; temos um Salvador ressuscitado. É o Rei, o Senhor dos exércitos, que está assentado entre querubins, e que no meio da peleja e do tumulto das nações continua a guardar Seu povo. Aquele que domina nos Céus é nosso Salvador. Avalia cada provação; vigia a fornalha ardente destinada a provar cada alma. Quando as fortalezas dos reis ruírem e as flechas da ira de Deus atravessarem o coração de Seus inimigos, Seu povo estará seguro em Suas mãos.
 
Fonte: EGW, T5-753,754


DEUS PROVERÁ



Muitos que professam seguir a Cristo têm um coração ansioso e inquieto porque receiam confiar-se a Deus. Não se entregam completamente a Ele, porque temem as consequências que tal entrega possa implicar. Enquanto não fizerem esta entrega, não podem encontrar paz. Há muitos cujo coração está oprimido sob o peso de cuidados, porque procuram fazer como o mundo.

Escolheram seu serviço, aceitaram suas perplexidades, adotaram seus costumes. Assim, seu caráter é deformado e sua vida torna-se fatigante. As preocupações contínuas esgotam as forças da vida.

Nosso Senhor deseja que se libertem deste jugo de escravidão. Convida-os a aceitar o Seu jugo, dizendo: “O Meu jugo é suave, e o Meu fardo é leve.” Mateus 11:30. A inquietude é cega, e não pode discernir o futuro; mas Jesus vê o fim desde o princípio. Para cada dificuldade, tem já preparado um alívio: “Não negará bem algum aos que andam na retidão.” Salmos 84:11.

Nosso Pai celeste tem mil maneiras de nos prover as necessidades, das quais nada sabemos. Os que aceitam como princípio dar lugar supremo ao serviço de Deus verão desvanecidas as perplexidades e terão caminho plano diante de si.

O cumprimento fiel dos deveres de hoje é a melhor preparação para as provas de amanhã. Não penseis em toda as dificuldades e cuidados de amanhã, ajuntando-os ao fardo de hoje. “Basta a cada dia o seu mal.” Mateus 6:34.

Tenhamos esperança e ânimo. O desânimo no serviço de Deus é pecaminoso e desarrazoado. Deus conhece as nossas necessidades. À onipotência do Rei dos reis, nosso fiel Deus une a amabilidade e solicitude de Bom Pastor. Seu poder é absoluto e constitui a garantia do seguro cumprimento de Suas promessas para todos os que n'Ele confiam.

Há meios para remover toda a dificuldade, a fim de que os que O servem e respeitam as providências que Ele emprega possam receber auxílio. Seu amor sobrepuja qualquer outro amor, na proporção em que os céus são mais altos do que a Terra. Vela sobre Seus filhos com um amor que é incomensurável e eterno.
 
Nos dias mais sombrios, quando as aparências se mostram mais adversas, tende fé em Deus. Está cumprindo Sua vontade, fazendo todo o bem em auxílio de Seu povo. A força dos que O amam e servem será renovada dia após dia.

Pode e quer conceder a Seus servos todo o socorro de que carecem. Dar-lhes-á a sabedoria que suas variadas necessidades requerem.
 
Escreveu o experimentado apóstolo Paulo: “E disse-me: A Minha graça te basta, porque o Meu poder se aperfeiçoa na fraqueza. De boa vontade, pois, me gloriarei nas minhas fraquezas, para que em mim habite o poder de Cristo. Pelo que sinto prazer nas fraquezas, nas injúrias, nas necessidades, nas perseguições, nas angústias, por amor de Cristo. Porque, quando estou fraco, então, sou forte.” 2 Coríntios 12:9-10.
#EGW - CBV








Em contato com os outros

 
 
 
“Não julgueis, para que não sejais julgados, porque com o juízo com que julgardes sereis julgados, e com a medida com que tiverdes medido vos hão de medir a vós.” Mateus 7:1-2.
 
Todas as relações sociais exigem o exercício do domínio próprio, paciência e simpatia. Diferimos tanto uns dos outros em disposições, hábitos e educação, que variam entre si nossas maneiras de ver as coisas. Julgamos diferentemente. Nossa compreensão da verdade, nossas ideias em relação à conduta de vida não são idênticas sob todos os pontos de vista. Não há duas pessoas cuja experiência seja igual em cada particular. As provas de uma não são as provas de outra. Os deveres que para uma se apresentam como leves são para outra mais difíceis e inquietantes.
 
Tão fraca, ignorante e sujeita ao erro é a natureza humana que todos devemos ser cautelosos na maneira de julgar o próximo. Pouco sabemos da influência de nossos atos sobre a experiência dos outros. O que fazemos ou dizemos pode parecer-nos de pouca importância, quando, se nossos olhos se abrissem, veríamos que daí resultam as mais importantes consequências para o bem ou para o mal.
 

#EGW - CBV, 483

Visão mais ampla

 
Cristo, o grande Médico Missionário, veio a nosso mundo como o ideal de toda verdade. A verdade jamais enfraqueceu nos Seus lábios, jamais sofreu em Suas mãos. Palavras de verdade romperam de Seus lábios com o frescor e poder de uma nova revelação. Desdobrou Ele os mistérios do reino dos Céus, apresentando jóia após jóia de verdade.
 
Cristo falou com autoridade. Toda a verdade essencial ao conhecimento das pessoas proclamou Ele com a indubitável certeza do conhecimento. Nada proferiu de fantasioso ou sentimentalista. Não apresentou sofismas, nem opiniões humanas. Nada de contos vazios, nenhuma falsa teoria revestida de linguagem bonita, brotou de Seus lábios. As declarações que emitiu foram verdades estabelecidas a partir de conhecimento pessoal. Anteviu as enganadoras doutrinas que encheriam o mundo, mas não as revelou. Em Seus ensinamentos, tratou dos imutáveis princípios da Palavra de Deus. Enalteceu as verdades simples e práticas que o povo comum era capaz de entender e aplicar em sua experiência diária.
 
Cristo poderia haver desvendado aos homens as mais profundas verdades da ciência. Poderia haver revelado mistérios que requereram séculos de árduo estudo a fim de serem penetrados. Poderia haver apresentado sugestões em assuntos científicos, que teriam resultado em alimento para o raciocínio e estímulo para invenções até o tempo do fim. Mas não Se ocupou disso. Nada proferiu para satisfazer a curiosidade ou para gratificar as ambições humanas abrindo as portas para a humana grandeza. Em todos os Seus ensinamentos, Cristo conduziu a mente das pessoas ao contato com a Mente Infinita. Não conduziu os homens ao estudo das teorias humanas a respeito de Deus, Sua Palavra ou Suas obras. Ensinou-lhes a contemplar a Deus conforme manifesto em Suas obras, Sua Palavra e Sua providência.


 
#EGW - T8,201

O caso de Acabe: uma advertência

Sob o governo perverso de Acabe, Israel afastou-se de Deus e corrompeu seus caminhos diante d'Ele. “E fez Acabe, filho de Onri, o que era mal aos olhos do Senhor, mais do que todos os que foram antes dele. E sucedeu que (como se fora coisa leve andar nos pecados de Jeroboão, filho de Nebate), ainda tomou por mulher a Jezabel, filha de Etbaal, rei dos sidônios; e foi, e serviu a Baal, e se encurvou diante dele. E levantou um altar a Baal, na casa de Baal que edificara em Samaria. Também Acabe fez um bosque, de maneira que Acabe fez muito mais para irritar ao Senhor, Deus de Israel, do que todos os reis de Israel que foram antes dele.” 1 Reis 16:30-33.
 
Acabe era fraco em força moral. Não tinha um senso elevado das coisas sagradas; era egoísta e sem princípios. Sua união em casamento com uma mulher de caráter decidido e temperamento positivo, que era devotada à idolatria, fez de ambos agentes especiais de Satanás para levar o povo de Deus à idolatria e terrível apostasia.
 
O espírito resoluto de Jezabel moldou o caráter de Acabe. Sua natureza egoísta era incapaz de apreciar as misericórdias de Deus para com Seu povo e sua obrigação a Deus como guardião e líder de Israel. O temor de Deus diminuía cada dia em Israel. Os símbolos blasfemos de sua idolatria cega eram vistos entre o Israel de Deus. Não havia ninguém que ousasse arriscar sua vida, levantando-se em oposição aberta à idolatria blasfema que prevalecia.
 
Os altares de Baal, e os sacerdotes de Baal que sacrificavam ao Sol, Lua e estrelas, eram visíveis em toda parte. Eles haviam consagrado templos e bosques onde a obra de mãos de homens era colocada para ser adorada. Os benefícios que Deus proporcionara a este povo não evocava de sua parte nenhuma gratidão ao Doador.
 
Todas as bênçãos do Céu — os riachos que corriam, as correntes de águas vivas, o orvalho suave, a chuva que refrescava a terra e fazia que os campos produzissem com abundância — eles atribuíam ao favor de seus deuses.
 
O coração fiel de Elias foi magoado. Sua indignação despertou-se e ele encheu-se de zelo pela glória de Deus. Viu que Israel estava mergulhado em terrível apostasia. E quando recordou as grandes coisas que Deus fizera a seu favor, foi tomado de tristeza e espanto. Mas tudo isso foi esquecido pela maioria do povo. Ele foi diante do Senhor, e, com seu espírito constrangido de ansiedade, pleiteou com Ele para salvar Seu povo mesmo que fosse por juízos. Suplicou a Deus para reter de Seu povo ingrato o orvalho e a chuva, os tesouros do céu, para que o Israel apóstata olhasse em vão a seus deuses, seus ídolos de ouro, madeira e pedra, o Sol, Lua e estrelas, para regar e enriquecer a terra, e fazer que ela produzisse mais abundantemente. O Senhor disse a Elias que tinha ouvido sua oração e reteria o orvalho e a chuva de Seu povo até que se voltasse a Ele em arrependimento.
 
Fonte: T3, 262 e 263.
 
Assim como o rei Acabe se deixou seduzir por Jezabel, numa união contrária a vontade de Deus, também podemos cair na mesma armadilha se desobedecermos aos desígnios do Senhor (2 Coríntios 6:14-18). A consequência dessa união foi a introdução da adoração a deuses falsos (Baal e Aserá), ou seja, a idolatria.

Deus nunca desiste de nós

 
Pois estou convencido de que nem morte nem vida, nem anjos nem demônios, nem o presente nem o futuro, nem quaisquer poderes, nem altura nem profundidade, nem qualquer outra coisa na criação será capaz de nos separar do amor de Deus que está em Cristo Jesus, nosso Senhor. Romanos 8:38, 39
 
Quando eu era menina, não ia a igreja nenhuma, porém minha amiga me levou à sua igreja, à Escola Cristã de Férias, ao acampamento de verão e aos Desbravadores. Encontrei Jesus num acampamento de jovens em Michigan. Eu me envolvi bastante e participei de uma viagem missionária de adolescentes ao Haiti, com os Desbravadores. Recebi estudos bíblicos e disse aos meus pais que queria ser batizada. Infelizmente, meus pais não se emocionaram com isso e disseram que eu tinha que esperar até completar 18 anos.

Quando cheguei à idade de cursar o ensino médio, o mundo me atraía muito. Na escola, os professores ensinavam a evolução, que, na época, eu achava que fazia sentido. Deixei completamente de ir à igreja e aos Desbravadores com minha amiga. Estava confusa, andava com a turma errada, comecei a fumar, beber e usar drogas.

Com vinte e tantos anos passei pelo divórcio e, durante esse período, deixei de fumar. Sendo mãe sozinha, fiz o melhor para controlar minha vida e as situações ao meu redor, mas não percebia que Jesus ainda trabalhava comigo.

Na faixa dos 30 anos, fiquei sabendo que os Desbravadores fariam um encontro com aqueles que haviam participado da viagem missionária. Fui com meu filho de cinco anos. Era a primeira vez em 20 anos que eu voltava ao local do acampamento. Logo percebi que estar de volta ali, no acampamento de jovens, me fizera sentir falta de Jesus. Odiei ter estado tão longe dEle. Isso me atingiu como uma tonelada de tijolos. Eu não queria mais criar meu filho sozinha. Vi o quanto precisava de Jesus na vida, e que com Ele nunca mais estaria sozinha.

Um ano mais tarde, decidi voltar à igreja quando recebi um telefonema dizendo que a empresa na qual eu trabalhava estava em processo de falência e que eu não devia mais comparecer ao trabalho. Assisti a algumas reuniões evangelísticas e fui batizada. Aceitei verdadeiramente a Jesus Cristo como Salvador pessoal. Duas semanas depois, a sede da igreja no estado me ofereceu emprego. As bênçãos de Deus continuaram a fluir, já que ali encontrei o amor da minha vida, meu esposo, em quem meu filho vê Jesus todos os dias. Louvo a Deus porque Ele nunca desiste de nenhuma de nós!

Cynthia Stephan
 

Fonte e objetivo da verdadeira educação

 
O mundo tem tido seus grandes ensinadores, homens de poderoso intelecto e vasto poder investigativo, homens cujas palavras têm estimulado o pensamento e revelado extensos campos ao saber; tais homens têm sido honrados como guias e benfeitores do gênero humano; há, porém, Alguém que Se acha acima deles. Podemos delinear a série dos ensinadores do mundo, no passado, até ao ponto a que atingem os registros da História; a Luz, porém, existiu antes deles. Assim como a Lua e as estrelas do nosso sistema planetário resplandecem pela luz refletida do Sol, assim também os grandes pensadores do mundo, tanto quanto são verdadeiros os seus ensinos, refletem os raios do Sol da Justiça. Cada raio de pensamento, cada lampejo do intelecto, procede da Luz do mundo.
 
Muito se fala presentemente acerca da natureza e importância de uma “educação superior”. A verdadeira “educação superior” é transmitida por Aquele com quem estão a “sabedoria e a força” (Jó 12:13) e de cuja boca “vem o conhecimento e o entendimento”. Provérbios 2:6.
 
Todo o saber e desenvolvimento real têm sua fonte no conhecimento de Deus. Para onde quer que nos volvamos, seja para o mundo físico, intelectual ou espiritual; no que quer que contemplemos, afora a mancha do pecado, revela-se este conhecimento. Qualquer que seja o ramo de investigação a que procedamos com um sincero propósito de chegar à verdade, somos postos em contato com a Inteligência invisível e poderosa que opera em tudo e através de tudo. A mente humana é colocada em comunhão com a mente divina, o finito com o Infinito. O efeito de tal comunhão sobre o corpo, o espírito e a alma, está além de toda estimativa.
 
Encontra-se nesta comunhão a mais elevada educação. É o próprio método de Deus para o desenvolvimento. “Une-te, pois, a Ele” (Jó 22:21), é Sua mensagem à humanidade. O método esboçado nestas palavras foi o seguido na educação do pai de nossa raça. Era assim que Deus instruía a Adão quando se achava no santo Éden, na glória de sua varonilidade impecável.
 
A fim de compreendermos o que se acha envolvido na obra da educação, necessitamos considerar tanto a natureza do homem como o propósito de Deus ao criá-lo. Precisamos também considerar a mudança na condição do homem em virtude da entrada do conhecimento do mal, e o plano de Deus para ainda cumprir Seu glorioso propósito na educação da raça humana.
 
Quando Adão saiu das mãos do Criador, trazia ele em sua natureza física, intelectual e espiritual, a semelhança de seu Criador. “Deus criou o homem a Sua imagem” (Gênesis 1:27), e era Seu intento que quanto mais o homem vivesse tanto mais plenamente revelasse esta imagem, refletindo mais completamente a glória do Criador. Todas as suas faculdades eram passíveis de desenvolvimento; sua capacidade e vigor deveriam aumentar continuamente. Vasto era o alvo oferecido a seu exercício, e glorioso o campo aberto à sua pesquisa. Os mistérios do universo visível — “as maravilhas d'Aquele que é perfeito nos conhecimentos” (Jó 37:16) convidavam o homem ao estudo. Aquela comunhão com Seu criador, face a face e toda íntima, era o seu alto privilégio.
 
Houvesse ele permanecido fiel a Deus, e tudo isto teria sido seu para sempre. Através dos séculos infindáveis, teria ele continuado a obter novos tesouros de conhecimentos, a descobrir novas fontes de felicidade e a alcançar concepções cada vez mais claras da sabedoria, do poder e do amor de Deus. Mais e mais amplamente teria ele cumprido o objetivo de sua criação, mais e mais teria ele refletido a glória do Criador.
 
Pela desobediência, porém, isto se perdeu. Com o pecado a semelhança divina se deslustrou, obliterando-se quase. Enfraqueceu-se a capacidade física do homem e sua capacidade mental diminuiu; ofuscou-se lhe a visão espiritual. Tornou-se sujeito à morte. Todavia, a raça humana não foi deixada sem esperança. Por infinito amor e misericórdia foi concebido o plano da salvação, concedendo-se um tempo de graça. Restaurar no homem a imagem de seu Autor, levá-lo de novo  perfeição em que fora criado, promover o desenvolvimento do corpo, espírito e alma para que se pudesse realizar o propósito divino da sua criação — tal deveria ser a obra da redenção. Este é o objetivo da educação, o grande objetivo da vida.
 
O amor, base da criação e redenção, é o fundamento da educação verdadeira. Isto se evidencia na lei que Deus deu como guia da vida. O primeiro e grande mandamento é: “Amarás ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todas as tuas forças, e de todo o teu entendimento.” Lucas 10:27. Amá-Lo a Ele — Ser infinito e onisciente — de toda a força, entendimento e coração, implica o mais alto desenvolvimento de todas as capacidades. Significa que, no ser todo — corpo, espírito e alma — deve a imagem de Deus ser restaurada.
 
Semelhantemente ao primeiro é o segundo mandamento: “Amarás a teu próximo como a ti mesmo.” Mateus 22:39. A lei do amor pede a consagração do corpo, espírito e alma ao serviço de Deus e de nossos semelhantes. E este serviço, ao mesmo tempo que faz de nós uma bênção aos outros, traz sobre nós mesmos as maiores bênçãos. A abnegação é a base de todo o verdadeiro desenvolvimento. Por intermédio do serviço abnegado recebemos a mais alta cultura de cada faculdade. Duma maneira cada vez mais plena nos tornamos participantes da natureza divina. Somos habilitados para o Céu, pois o recebemos em nosso coração.
 
Adão e Eva adquiriam o saber mediante a comunhão direta com Deus, e acerca d'Ele aprendiam por meio de Suas obras. Todas as coisas criadas, na sua perfeição original eram uma expressão do pensamento de Deus. Para Adão e Eva a Natureza estava repleta de sabedoria divina. Pela transgressão, porém, o homem ficou privado de aprender de Deus mediante a comunhão direta, e, em grande parte, mediante as Suas obras. A Terra, corrompida e maculada pelo pecado, não reflete senão palidamente a glória do Criador. É verdade que Suas lições objetivas não se obliteraram. Em cada página do grande livro de Suas obras criadas ainda se podem notar os traços de Sua escrita. A Natureza ainda fala de seu Criador. Todavia, estas revelações são parciais e imperfeitas. E em nosso decaído estado, com faculdades enfraquecidas e visão restrita, somos incapazes de as interpretar corretamente. Necessitamos da revelação mais ampla que de Si mesmo Deus nos outorgou em Sua Palavra escrita.
 
As Escrituras Sagradas são a perfeita norma da verdade, e como tal, a elas se deve dar o mais alto lugar na educação. Para se obter uma educação digna deste nome devemos receber um conhecimento de Deus, o Criador, e de Cristo, o Redentor, como se acham revelados na Palavra Sagrada.
 
Cada ser humano criado à imagem de Deus, é dotado de certa faculdade própria do Criador — a individualidadefaculdade esta de pensar e agir. Os homens nos quais se desenvolve esta faculdade, são os que arrostam responsabilidades, que são os dirigentes nos empreendimentos e que influenciam nos caracteres. É a obra da verdadeira educação desenvolver esta faculdade, adestrar os jovens para que sejam pensantes e não meros refletores do pensamento de outrem. Em vez de limitar o seu estudo ao que os homens têm dito ou escrito, sejam os estudantes encaminhados às fontes da verdade, aos vastos campos abertos a pesquisas na Natureza e na revelação. Que contemplem os grandes fatos do dever e do destino, e a mente expandir-se-á e fortalecer-se-á
 
Em vez de educados fracotes, as instituições de ensino poderão produzir homens fortes para pensar e agir, homens que sejam senhores e não escravos das circunstâncias, homens que possuam amplidão de espírito, clareza de pensamento, e coragem nas suas convicções.
 
Mais elevado do que o sumo pensamento humano pode atingir, é o ideal de Deus para com Seus filhos. A santidade, ou seja, a semelhança com Deus, é o alvo a ser atingido. À frente do estudante existe aberta a senda de um contínuo progresso. Ele tem um objetivo a realizar, uma norma a alcançar, os quais incluem tudo que é bom, puro e nobre. Ele progredirá tão depressa, e tanto, quanto for possível em cada ramo do verdadeiro conhecimento.
 
Fonte: A Ciência do Bom Viver, 13-19
 
 
 
 
 
 
 
 
 

Blogger Templates